Sim, a vida tem um poder que desconheço. Nos passos simétricos que percorria realmente acreditava que poderia prever cada esquina que chegaria. Quanta inocência!
De repente voei alto... busquei aventurar-me em lugares donde nunca havia estado, e, mais de repente ainda, o que não era esperado, até mesmo desconhecido e negado, tornou-se lugar comum, presentificado.
E numa surpresa quase primaveril, flores se abriram! E, eu, que antes buscava compreender o significado oculto das coisas, deparei-me com o quão simples pode ser o desabrochar de um sentimento....
Assim como quem não quer nada, assim como que a qualquer momento pudesse deixar de existir... Parti.
E como um pássaro que pousa buscando seu caminho através da partida possível, busquei, voltei, segui...
Sim, é primavera. O céu é palco dos sonhos que por serem altos não os alcanço, ainda. Estou aprendendo a voar.
E voando alto me deparo com a beleza de poder bailar acompanhada...
Sim, os pássaros sabem instintivamente para onde ir. Acreditam em seus instintos e por isso chegam.
Talvez essa primavera tenha me ensinado que eu deva voar mais e percorrer menos.
Talvez eu deva sentir o que o céu traz, o que é trazido a mim quando me deixo ir com o seu vento.
Voar é uma arte que quando não se está só é gostoso fazer parte.
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